BIOGRAFIA: Veja um pouco da história do ex-deputado Osvaldo Coelho

03/11/2015 15:34
Veja um pouco da história do ex-deputado Osvaldo Coelho em um levantamento feito pelo agrônomo José Simões*. Leia na íntegra:
 
Nós somos filhos da seca.
Ela é a dona de nossas vidas.
Ela nos impõe todos os sofrimentos:
A fome, a sede, a pobreza.
As novas gerações devem ser filhas da irrigação das águas do São Francisco
Livres, prósperas, felizes.
 
Osvaldo Coelho
 
Citação do escritor e historiador escocês Thomas Carlyle diz: O que é a história, senão a biografia dos grandes vultos da humanidade.
 
Na história do semiárido nordestino, do vale do Rio São Francisco, em particular, pela sua biografia, por tudo que ele tem feito, para tornar mais digna á vida do sertanejo, para ser justo, Osvaldo Coelho deve ser incluído na galeria dos grandes benfeitores da região semiárida do nordeste.
 
Deve figurar ao lado de grandes personalidades, tais como: o Presidente Epitácio Pessoa, que na década de 20 executou um plano para construção de grandes barragens na região, estratégicas no combate a seca. Rômulo de Almeida que criou o Banco do Nordeste. Celso Furtado idealizador da Sudene.
 
Apolônio Sales que lutou pela construção da Hidroelétrica de Paulo Afonso e foi criador da CHESF e Manoel Novaes, outro grande deputado sertanejo que brigou pela criação do Fundo de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, que propiciou a criação da Comissão do Vale do São Francisco, (hoje CODEVASF), órgão que deu os primeiros passos para desenvolver a região, antes dominada pelo impaludismo endêmico e pelo atraso.
 
A história do Sertão de São Francisco tem um divisor de águas: antes e depois de Osvaldo Coelho e de seu irmão o ex-governador, Nilo Coelho. Eles deram início à redenção da mulher e do homem sertanejo, fazendo valer o potencial do Vale do São Francisco como instrumento para transformação social e econômica.
 
A sua bandeira regional é a irrigação, é água para o semiárido. Cuidou como ninguém antes o fizera da construção de açudes, da perfuração de poços, do abastecimento d’água, da eletrificação e telefonia rural, da construção de estradas e adutoras, da implantação dos projetos públicos de Irrigação, tudo isso direcionado para a geração de empregos e libertação das muitas formas de atraso da região da caatinga.
 
A sua bandeira nacional é a educação, lutou pela universalização do ensino fundamental. Na constituinte de 1988, foi autor do artigo 60 das Disposições Transitórias, indicando que 50% dos recursos constitucionais destinados a educação nos estados e municípios, fossem gastos no ensino fundamental.
 
Foi esta a chamada “Lei Osvaldo Coelho”, que propiciou a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental – FUNDEF – instrumento que deu inÍcio ao resgate da dignidade dos professores das escolas públicas brasileiras.
 
Criou em Petrolina a Escola AgrotÉcnica e a Escola Técnica, a fim de preparar a mão de obra para fazer face ao desenvolvimento da região. Lutou pela oferta do ensino superior aos jovens sertanejos. Fundou o CEFET e a UNIVASF, portas abertas para o avanço da ciência e tecnologia.
 
Osvaldo Coelho pode ostentar uma vida pública que valoriza e dignifica a política. Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, exerceu 3 mandatos como deputado na Assembléia Legislativa de Pernambuco. Foi Secretário da Fazenda e consagrado com oito mandatos para a Câmara Federal.
 
Casou-se com Ana Maria, sua grande companheira e formaram uma bela família com seis filhos e cumplicidade na busca de meios para melhorar a vida do homem da Caatinga.
 
Osvaldo Coelho escolheu o ofício de político com o objetivo maior de ajudar o próximo. Realizar coisas para a comunidade tem sido sua paixão. Em um dos seus últimos discursos na Câmara dos Deputados, intitulado “Eu Acuso”, ele culpou o Governo da União, o Congresso Nacional e a imprensa pela indiferença como é tratada a região semiárida, com o sofrimento do sertanejo.
 
Ele iniciou sua fala fazendo uma pequena digressão sobre passagens de sua vida, que ajudaram a moldar seu caráter e traçar seu destino. Naquela ocasião ele disse:
 
"Nasci no ano de 1931. Em 1932, ocorreu uma das maiores secas na região. Na minha infância, como de todas as crianças sertanejas, só se ouvia falar de seca, de falta d’água, de sofrimento, dos retirantes fugindo da seca em busca das grandes metrópoles do Sudeste. Em 1945, aos 14 anos, fiz uma viagem de navio gaiola, subindo o Rio São Francisco. Levamos 11 dias para chegar a Pirapora, em Minas Gerais, e mais 3 para chegar a São Paulo. O navio era movido a lenha e todos os dias parava em um porto. E, toda vez que ia buscar lenha, deixava uma criança. Era uma criança que havia morrido de fome. Foram 11 “paradas”, 11 crianças mortas. Desde então, comecei a sentir que o Governo tinha responsabilidade com a migração do sertanejo, com a mortalidade infantil, com a fome nordestina. As secas, viagens, amizades, tudo foi me chamando para assumir responsabilidade e me destinando à vida pública. Tornei-me Deputado. Sou deputado com representação do semiárido, do Vale do São Francisco".
 
Conhecido como o “Deputado da irrigação”, Osvaldo também carrega a marca de ser o desbravador da educação ao brigar pela expansão do ensino superior no Vale do São Francisco. Costumava auto-proclamar-se um Deputado “distrital”, porque nunca se preocupou em buscas de votos em outras áreas do interior do Estado. O seu universo era apenas o São Francisco, pelo qual dedicou-se de corpo e alma durante mais de 50 anos de vida pública, que soube exercer com bravura e seriedade.
 
Depois de onze mandatos entre Assembleia Legislativa e Câmara Federal (o que significam 44 anos participando da vida política do país), no último pleito, em 2006, Osvaldo recebeu a expressiva votação de 72.109 votos, insuficientes, contudo, pelo sistema proporcional, para manter o seu irretocável mandato na Câmara dos Deputados.
 
Em seu artigo “OBRIGADO PELO SEU VOTO”, publicado pelos principais jornais do Estado e enviado aos seus eleitores; sereno - sem ressentimentos por não ter sido eleito - nada lamenta, só agradece. No artigo ele ainda escreve: "Fiz todo o possível para que o sertão tivesse um sonho melhor e consegui várias conquistas. Hoje, a região a qual represento é dotada de um aeroporto internacional, uma Universidade Federal, um CEFET, e é conhecida internacionalmente como a Capital da Irrigação. De acordo com o IBGE, em 2004, dentre os 5.560 municípios do Brasil, Petrolina ocupa a 3º posição no PIB agropecuário municipal, graças à fruticultura irrigada. Deixo implantado, em funcionamento, o Projeto de Irrigação Maria Tereza. Deixo concluída a primeira etapa do projeto de engenharia do Empreendimento Canal do Sertão de Pernambuco, que irá viabilizar economicamente 17 municípios da Região Oeste do Estado e em fase de conclusão de obras o Projeto de Irrigação Pontal. Deixo Petrolina com a responsabilidade de ser uma metrópole regional dotada de fonte de renda, de infra-estrutura de transporte e de um importante centro educacional. Aos que pretendem se enfileirar no mesmo caminho da minha luta, sugiro que insistam em reduzir a maior taxa nacional de analfabetismo, triste realidade do semiárido nordestino. Persistam na luta para obtenção de um crédito subsidiado, compatível com as condições climáticas do semiárido. Exijam-se do Governo mais incentivos às atividades produtivas, como a bovinocultura, a ovino-caprinocultura, a piscicultura e a apicultura, atividades econômicas que possibilitam a inclusão social. Ênfase especial deve ser dada à Irrigação, à implantação de Projetos Públicos de Irrigação".
 
Osvaldo conclui seu artigo dizendo: “Espero que as pessoas se lembrem de mim como aquele que fez tudo para fortalecer os mais fracos”.
 
 
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*Antônio José Simões é Agrônomo, com mestrado em irrigação. Foi técnico do Grupo de Irrigação do São Francisco da Sudene e pesquisador da EMBRAPA. Presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Pernambuco – IPA e Diretor de operação e produção da CODEVASF.

 


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