EUCLIDES DA CUNHA-BA: HOMENS ARMADOS TOCAM TERROR E DESTROEM CASAS NA FAZENDA SIPITUBA

01/08/2014 07:50

 

Na manhã desta quinta-feira (31), G. R. Morais, morador da Fazenda Sipituba, (Acampamento Novo), registrou na 1ª Delegacia Territorial da 25ª Coorpin, boletim de ocorrência de ataque e destruição de moradias e equipamentos de combate à seca, doados pelo Governo, causando grande prejuízo aos posseiros.

O assentamento Sipituba é uma área de terra desapropriada pela CDA (Coordenação de Desenvolvimento Agrário) da Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia, que se tornou objeto de contestação por parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e dos índios Kaimbé, ambos de Euclides da Cunha, que ocuparam os mais de 10.000 hectares da fazenda, que fica situada a mais ou menos 36 km da sede do Município e a 6 km do aldeamento indígena de Massacará.

 

A disputa pela posse da terra, entre os trabalhadores rurais sem-terra e os indígenas, por pouco não se transformou em um grande conflito entre as partes, pois os Kaimbé ocuparam a sede da fazenda, após a descoberta pelo governo do Estado, que a propriedade em questão, na realidade, tratava-se de terra devoluta, (que pertence ao governo), mas que estava sendo ocupada, indevidamente, por um fazendeiro de Ribeira do Pombal.

 

Em busca de solução para o impasse, o MST de Euclides da Cunha, tendo à frente João José Costa de Macedo, um dos seus líderes, chegou a fazer uma manifestação pública na cidade, com passeata e faixas alusivas ao movimento reivindicando a regularização da posse da terra, com iminência de agravamento do conflito.

As lideranças tiveram o apelo atendido e participaram de uma reunião que envolveu representantes do Ministério Público Estadual (escritório de Euclides da Cunha), Seagri, CDA, Pastoral da Terra, Pastoral Indígena, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Euclides da Cunha, entre outros. Em outubro de 2013, o conflito foi resolvido pelas autoridades governistas e a divisão da área terminou com a entrega de títulos da terra, ficando a representação indígena Kaimbé com 50%, além de a sede da fazenda, e os outros 50%, para os posseiros.

Mas, segundo João José, a solução aceita pelas partes não trouxe tranquilidade definitiva para os assentados do MST, que passaram a sofrer ameaças por parte de alguns invasores de terras vindos de Ribeira do Pombal, insatisfeitos com a solução encontrada. As lideranças do MST de Euclides da Cunha suspeitam que essas pessoas estejam por trás dos atentados e ameaças que estão acontecendo no assentamento Sipituba.

Na tarde desta terça-feira (29), por volta das 15h30, um grupo formado por seis homens armados com armas de fogo longas e encapuzados chegaram em dois veículos ao assentamento do novo acampamento da fazenda Boa Vista e, depois de renderam o sr. G. R. Morais, que se encontrava sozinho no local, passaram a queimar e destruir tudo que viam pela frente.

Segundo G..., na ação delituosa, 07 casebres com cobertura de telhas cerâmicas; 09 casebres cobertos com telha Eternit; 01 casa erguida com paredes de bloco cerâmico foram completamente destruídos;  02 cisternas de PVC doadas pelo governo (Programa de Combate à Seca) foram danificadas, além de atearem fogo a cerca de 80 a 100 caixas de colmeias de abelhas em fase de procriação e adaptação ao meio ambiente.

“Vivi momento de terror e tive muito medo de morrer; pois tudo foi feito sob os disparos de arma de fogo, aproximadamente 60 tiros, como se estivessem comemorando a destruição de tudo que havia no lugar. Após completarem a ação criminosa, eles tomaram a chave de minha motocicleta, arrancaram o cabo de vela e levaram embora, para que eu não avisasse a tempo aos demais posseiros que se encontravam fora da fazenda, e tomaram o rumo na direção de Massacará. Ainda muito assustado, depois de esconder a motocicleta na mata, peguei um jumento e fui para a localidade de Bom Jardim, que fica a cerca de 4 km, já na divisa entre os municípios de Euclides da Cunha e Canudos. Lá, ao relatar o acontecimento aos moradores, eles disseram que também se assustaram com a quantidade de tiros que ouviram, apesar da distância”, disse Gerson, ainda meio apreensivo.

Uma investigação policial para apurar o fato foi solicitada, além de encaminhamento de pedido de perícia criminalística ao DPT-Departamento de Polícia Técnica de Euclides da Cunha, na tentativa de localizar e prender os autores do crime.

 

 

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Fonte: Euclides da Cunha.com



 


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