HISTÓRIA: ANIVERSÁRIO DA MORTE DO EX-PRESIDENTE (Uma visão sobre o mito Vargas)

01/09/2013 13:26

Segundo autor, suicídio era a única alternativa para Vargas

(Reprodução/Internet)

 

Os autores que nutrem certa simpatia pela figura de Getúlio Vargas, mas são honestos intelectualmente, sempre se socorrem da personalidade complexa do ex-ditador para justificar seus maiores erros. Esquecem-se de que qualquer pessoa que exercesse a presidência por 20 anos, a maior parte dos quais com poderes absolutos, se tornaria necessariamente uma figura complexa. Num longo período como esse também não é difícil identificar fatos positivos (muitas vezes sem relação nenhuma com qualquer ação governamental) para render as devidas homenagens ao chefe.

Este é o caso da obra Pai dos Pobres? O Brasil e a era Vargas, do historiador norte-americano Robert M. Levine. Ele fez uma longa pesquisa em arquivos brasileiros e norte-americanos na década de 60, publicando originalmente esse trabalho pela Comumbia University Press, em 1970. Na década seguinte, o autor expandiu a pesquisa e finalmente publicou a versão revista em português no ano de 2001.

A simpatia que o autor demonstra ao analisar Vargas e seus períodos na Presidência – à qual chegou por, praticamente, todos os meios – por revolução (1930), eleição indireta (1934), golpe de Estado (1937) e eleição direta (1950) – não o impede de um certo espírito crítico, especialmente quanto às práticas políticas. O Professor Levine (Universidade de Miami) desenha, no entanto, um retrato muito mais favorável ao ex-ditador no que diz respeito à sua agenda econômica. É certo que ele narra os incontáveis fracassos econômicos, especialmente o do populismo do segundo mandato. Mas há sempre uma justificativa à mão para isentar o intervencionismo fascista dos anos 30/40, ou keynesiano dos anos 50. Talvez porque o autor não seja economista e não saiba que não existe registro de nenhuma política econômica intervencionista bem sucedida. Mas excluindo a frágil argumentação para explicar aspectos supostamente beneméritos das políticas de Vargas, que lhe concede o duvidoso título de pai dos pobres, a obra representa uma pesquisa meritória e deve ser lida por quem se interesse pelo período Vargas.

O maior reparo que pode ser feito diz respeito à questão do suicídio, tratado como um mistério. Mais uma vez a personalidade complexa, introvertida e enigmática do ex-ditador é invocada. Ora, nas três semanas que antecederam o suicídio, Vargas se viu às voltas com uma oposição implacável nas denúncias de corrupção. A inflação também já despontava como um sério mal econômico e seu círculo íntimo viu-se inequivocamente envolvido na tentativa de assassinar Carlos Lacerda. Caso não tivesse se suicidado, o ex-ditador teria sido derrubado e, provavelmente, levado a julgamento, como aconteceu com o ex-presidente Collor e sua entourage. O gesto suicida foi a única alternativa para Vargas garantir um lugar ao sol na História brasileira do século XX. Não há nisso nenhum mistério. chorrochoonline deixando você bem informado sobre a história do nossso pais.

 

LEVINE, Robert M. Pai dos Pobres? O Brasil e a Era Vargas. Rio de Janeiro, Companhia das Letras, 2001, 278 páginas.


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