Petistas criticam possibilidade de Lula depor na PF

26/09/2015 21:33

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Lideranças petistas classificaram como uma ação de “conotação política” a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depor à Polícia Federal como testemunha no esquema de corrupção investigado no âmbito da Operação Lava Jato. “O ex-presidente vai testemunhar sobre o quê? Há uma clara conotação política nessa iniciativa”, afirma o líder do PT do Senado, Humberto Costa (PE).

Para o senador do PT, não há nenhum fato que envolva o ex-presidente no escândalo da Petrobras e a iniciativa trata-se de uma “coisa isolada” do delegado da PF Josélio Sousa. No dia 11 deste mês, ele solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a autorização para ouvir Lula e os ex-ministros Gilberto Carvalho e Ideli Salvatti sobre o caso.

Na sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou um parecer ao Supremo no qual recomenda ao relator das investigações na Corte, ministro Teori Zavascki, que aceite o pedido do delegado PF para ouvir Lula. Se Zavascki autorizar o depoimento, Lula será ouvido como testemunha.

Para o deputado tucano Antonio Imbassahy (BA), 1º vice-presidente da CPI da Petrobras, a decisão de Janot de recomendar que Lula seja ouvido é acertada. “Lula é um cidadão comum que tem que observar a legislação como todos. Ele tem sido citado. Todo o esquema do ‘petrolão’ foi iniciado no governo dele, por isso ele tem obrigação de prestar os esclarecimentos. Até porque, como presidente, ele tinha responsabilidade sobre as ações de seus subordinados”, disse.

Segundo a edição da revista “Veja” desta semana, o ex-deputado Pedro Corrêa, preso desde abril por envolvimento no esquema de desvios na Petrobras, estaria negociando com o Ministério Público um acordo de delação premiada. A publicação afirma ainda que Corrêa já teria dito aos procuradores da Lava Jato que Lula e a presidente Dilma Rousseff sabiam da existência do esquema de corrupção que funcionava na estatal.

Também de acordo com a revista, Corrêa teria contado, em conversas preliminares, que o petrolão nasceu em uma reunião realizada no Planalto, com participação dele, Lula, integrantes do PP (partido de Corrêa) e os petistas José Dirceu e José Eduardo Dutra, que na época era presidente da Petrobras. No encontro, definiu-se a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da estatal. Anos depois, Costa se tornaria o primeiro delator da Lava Jato.


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