Santo Antonio de Patamuté Por Walter Araújo

03/06/1214 00:09
                       
   Começa hoje - e se prolongará até o dia 13 de junho - a festa de Santo Antonio de Patamuté, padroeiro do lugar. Mui remotamente Patamuté elevou-o à condição de padroeiro, assim como Abaré e muitos outros lugares espalhados pelo mundo. É popular e querido “o santo de todo o mundo”, como assim é chamado pelos católicos desde o século XII.
 
E o que é ser padroeiro? Significa ser protetor, patrono, ser presente no dia-a-dia do povo. A festa de Santo Antonio, conhecida como trezena, porque se estende por treze dias, vai acontecendo, fervorosamente, avivando a fé de quem a tem ou, pelo menos, pensa que tem. Mas, em termos de fé, o importante é pensar conforme o preceito bíblico, que diz: “Fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hebreus, 11-1).
 
Antigamente a expectativa do povo era muito grande à espera da festa. Quer dizer, antigamente é modo de dizer, porque não sou tão velho assim para que um antigamente venha se intrometer nesta crônica. É que sou do tempo em que o respeito ao calendário da igreja era mais evidente, revestia-se de seriedade e a religião não se misturava tanto com as coisas profanas.
 
Hoje a falta de criatividade permitiu que se fizesse uma pista de dança nos fundos da igreja. Poderia ser mais distante do local onde se praticam as atividades religiosas. Entretanto, minha pequenez não me autoriza a criticar a inteligência de nossos governantes municipais.   
 
Além do mais, falando de antigamente, participei, como pude, das atividades da pequena igreja de Patamuté e fui até, em certo ponto, um ingênuo defensor da idéia de que lá fosse criada e instalada uma sede de paróquia, para que tivesse padre diuturnamente, cuidando das fraquezas humanas. Coisas da juventude, uma idéia difícil de acontecer e de explicar.
 
O padre Adolfo Antunes da Silva, que foi vigário de Curaçá e meu amigo, me disse, sabiamente, que a juventude às vezes não tem em que se amparar, a não ser na própria utopia. Eu era utópico neste particular. Patamuté sempre segurou suas tradições religiosas, com a força de sua gente, independentemente de ser sede de paróquia. Continua não sendo e, apesar disto, Santo Antonio está lá, excelso, galante, protetor.  
 
O certo é que Patamuté está em festa. Alguns de seus filhos mais presentes não deixam esmorecer a homenagem ao santo padroeiro, tampouco se esquecem do lugar nesta época do ano. E para lá acorrem com o intuito de sustentar a fé e tradição do lugar. Escravo dos meus defeitos, eu não me tenho feito presente há anos.
 
Cada dia, nesses treze da festa, a comunidade se faz presente, como se angariando forças para a continuidade da vida. Em 2014 os temas indicados para reflexão são: a fé; a esperança; dízimo, expressão forte de comunidade; família; humildade; liberdade para todos; fraternidade na comunidade; mestre de oração; a paciência; abstinência; símbolo do sertão, a escassez de água; o idoso.  
 
Em 2014 também farei parte da festa, não presencialmente, mas com o pensamento voltado para a noite do dia 06, assim como os demais noiteiros daquele dia: Gorete Gomes, D. Zarica Menezes, Helena Gomes, Jorge Reis, Rogaciano e família Pirrel, Joventina e Jean. São convidados da noite os catequistas e catequizandos, esteios responsáveis pela vigilância da fé em Patamuté.
 
A organização dos festejos conta com a participação de um filho de Patamuté, que tem se mostrado muito atencioso com o lugar: Jackson Prado. Vale este registro, porque ele se tem dedicado a este trabalho.
 
Santo Antonio de Patamuté está lá, acolhedor, hospitaleiro, protetor e glorioso. E seus filhos pedem sua bênção tão necessária neste mundo de turbulências, crueldades e desassossego.
 
araujo-costa@uol.com.br   
 
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