Traficante Playboy vira questão de prova em colégio e gera críticas no Rio

26/08/2015 09:31

Traficante Palyboy virou questão de prova em colégio Foto: Reprodução internet

O traficante Celso Pinheiro Pimenta, Playboy, morto no dia 8 de agosto, virou questão de prova. Os alunos do 3º e 5º ano do Ensino Fundamental do Centro Educacional Macedo Silva, de Realengo, na Zona Oeste do Rio, responderam a uma pergunta sobre a identidade do criminoso em uma prova de Geografia, feita há uma semana. A questão, de múltipla escolha, aplicada na última terça-feira, perguntava o apelido do bandido morto e dava como opções os apelidos de outros criminosos. O caso foi noticiado pela rádio BandNews.

A abordagem incomodou alguns responsáveis, que chegaram a procurar a direção da escola.

 
 

— Eu achei um absurdo! Inclusive, vim aqui na escola para falar sobre isso. Em casa eu evito que meu filho fique sabendo dessas coisas, aí a escola bota isso em uma prova? — questiona Patricia Passos, mãe de um aluno de 11 anos que fez a prova.

 

Fachada do colégio que fica na Zona Oeste do Rio
Fachada do colégio que fica na Zona Oeste do Rio Foto: Elisa Clacery

 

Segundo Patricia, não é a primeira vez que isso acontece. No ano passado, também em uma prova de Geografia, seu filho respondeu uma questão sobre a invasão de uma favela por um comando rival.

 

Patrícia Passos, mãe de um aluno do 5º ano, critica a postura da escola
Patrícia Passos, mãe de um aluno do 5º ano, critica a postura da escola Foto: Elisa Clavery

 

No Facebook, Aline Siqueira, mãe de uma aluna do 3º e outra do 5º, mostrou-se indignada e publicou uma foto da prova. A postagem recebeu dezenas de curtidas e foi apoiada por outros responsáveis.

“Caraca, elas (as filhas) só veem desenho. Será que estou errada em estar indignada?”, escreveu a responsável. Em um dos comentários, um dos amigos comentou: “Mais uma forma de enaltecer a cultura da bandidagem”.

Aline acredita que a postura da escola acabou estimulando a curiosidade das crianças, que foram procurar quem eram os outros criminosos que apareceram na questão multipla escolha.

— Minha filha disse que uma coleguinha, de 8 anos, tentou acessar a internet da escola para descobrir quem eram os outros bandidos — disse Aline: — Esses bandidos não são deuses, nem heróis.

Apesar de achar as crianças muito novas para responderem esse tipo de pergunta, Elaine Souza, mãe de uma aluna do 5º ano, diz que é impossível que as crianças já não soubessem do fato.

— A internet está aí! Não tem como evitar que as crianças saibam disso. Tanto que quase todas elas acertaram — opina Elaine.

Para a consultora em educação Regina de Assis, a atitude da escola foi inapropriada.

— O que isso tem a ver com geografia? Um bandido foi citado como alguém que as crianças devem conhecer para ganhar uma boa nota — critica Regina — Se os professores estivessem analisando como o mal é visto pelas crianças, seria diferente. Mas em uma questão de múltipla escolha, não me parece que houve qualquer intenção de reflexão.

A direção da escola informou, em nota, que o objetivo pedagógico é "desenvolver o espírito crítico frente a diferentes situações vividas". A nota diz, ainda, que "nosso estabelecimento situa-se na cidade do Rio de Janeiro onde esses e outros assuntos sobre criminalidade, violência, insegurança e tráfico são recorrentes no nosso dia a dia".

Leia a nota da escola na íntegra

"O Centro Educacional Macedo Silva, vem em nome da direção e equipe pedagógica esclarecer sobre a questão ATUALIDADES contida na prova de Geografia aplicada para o Ensino Fundamental. NOSSO OBJETIVO É DE ABORDAR ASSUNTOS GERAIS DE NOSSO COTIDIANO, como fazemos em nossas aulas. Nossa Proposta Pedagógica expressa claramente em um dos seus objetivos de ensino, desenvolver o espírito crítico frente a diferentes situações vividas, compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres e repúdio as injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. Enfim, posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva.

Importante ressaltar, que nosso estabelecimento situa-se na cidade do Rio de Janeiro onde esses e outros assuntos sobre criminalidade, violência, INSEGURANÇA e tráfico são recorrentes no nosso dia a dia e veiculados nas mídias e redes sociais maciçamente, o que desperta dúvidas e curiosidades em nossos alunos, que logo trazem essa abordagem para dentro dos muros da escola, estimulando diálogos e promovendo debates entre alunos e professores.

Reiteramos aqui o nosso compromisso com a verdade, dignidade e responsabilidade no exercício da formação e educação de cidadãos de bem."

 

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Fonte: Extra.Globo



 


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