Walter Araújo Costa: Chorrochó: festas e vaqueiros

24/07/2013 22:57

                                   

Quem escreve:

Walter Araújo Costa advogado,escritor e jornalista.
Política, poder, cultura, bastidores, literatura.
São Bernardo do Campo - SP
araujo-costa@uol.com.br

 

 

                                            Chorrochó: festas e vaqueiros

 

                     Há pelo menos quatro anos Chorrochó espera a visita de um senhor educado, sensato, civilizado e culto, mas ele nunca chega. Está atrasadíssimo. É o senhor Consenso.

            Todo mês de julho a cidade faz a Festa dos Vaqueiros, que já atinge a 27ª edição, uma iniciativa pioneira no município, que vem dos tempos de Oscar Araújo Costa, político representante de Caraíbas, portador de caráter irrepreensível e reputação ilibada, que tinha grande predileção pelas tradições de Chorrochó, linha seguida por seu filho e ex-prefeito José Juvenal de Araújo, que à época formatou a idéia.

            Todavia, as coisas mudaram e mudar faz parte do dinamismo social. Chorrochó misturou política com tradição, cultura com vaidade e alhos com bugalhos, de sorte que surgiu uma nuvem que insiste em não sair de cima do território chorrochoense. E não é nuvem de chuva, mas de intransigência.                

            Não se sabe exatamente porque razão supostamente relevante, embora claro o viés político, foi criada outra festa, também em homenagem aos vaqueiros e que, neste ano, chega ao degrau da 4ª edição, com o nome de Chapéu de Couro. Parece equivocado o mérito dessa iniciativa e atrevo-me a meter o bedelho: o calendário é suficientemente esparso para comportar outras festas em Chorrochó. Por que esta também em julho? Por que não acomodá-la em outro mês?

            Evidente que o vaqueiro do nosso sertão merece estas e outras festas e quantas forem possíveis em sua homenagem. É ele o retrato do sertanejo de pele causticada pelo sol escaldante e rosto marcado pelas intempéries. É o esteio sobre o qual se sustenta a vida do homem do campo. É um patrimônio indiscutível de nossa cultura nordestina e razão inconteste das tradições da caatinga. E é razoável lembrar, que na figura do vaqueiro somam-se o pai de família zeloso, o pequeno agricultor, o desamparado pecuarista e a base sobre a qual se firma a sociedade rural do Nordeste.

            Até aí ou aqui, tudo bem. E o que tem a ver o senhor Consenso com esta história? Ele é fundamental. Sua presença se faz necessária em Chorrochó, urgentemente, pelos motivos seguintes: primeiro, a coincidência de datas para realização das duas festas, já que se tratam de eventos essencialmente culturais, não me parece beneficiar o município, embora exista o argumento de que economicamente é vantajoso, porque movimenta a economia local; segundo, existe um clima de disputa que se estende desde a organização dos eventos e que se alastra durante eles, o que, inegavelmente, tira o brilhantismo de ambos. E, neste caso, quem menos se beneficia dessa vaidade é o vaqueiro.

            Então, quando o senhor Consenso chegar, certamente fará uma composição saudável para Chorrochó: que as festas continuem, porquanto tradições culturais do lugar, mas que sejam em datas diferentes, mantendo uma e outra a costumeira criatividade, a dedicação dos organizadores, o objetivo nobre e, sobretudo, o amor ao município de Chorrochó.

 

           araujo-costa@uol.com.br

 

Escrito por Escrito por Walter para o chorrochoonline.

            


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