Deltan Dallagnol vai de cavaleiro contra as trevas a Duas Caras em meio a Vaza Jato

12/08/2019 13:30

por Fernando Duarte

Deltan Dallagnol vai de cavaleiro contra as trevas a Duas Caras em meio a Vaza Jato
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil | Montagem: Bahia Notícias

A cada novo episódio da “Vaza Jato”, para além de questionar as intenções da autointitulada maior operação de combate à corrupção do mundo, conhece-se um pouco mais sobre as múltiplas facetas do coordenador da Lava Jato em Curitiba (PR), Deltan Dallagnol. Por mais que sugiram que Sérgio Moro é o principal ator nessa narrativa, o procurador da República do PowerPoint é quem tem expostas as próprias contradições que o transformam muito mais em um Duas Caras do que o próprio Batman, pegando como referência a cultura pop. Explico.

 

Desde a emergência dos salvadores da pátria da Lava Jato, sobraram referências ao heroísmo de Moro, Deltan e sua trupe – uso o termo circense, por resumir bem como podemos encarar toda a encenação em torno do funcionamento normal das instituições no Brasil. Moro, por exemplo, continua popular, mesmo tendo tido inúmeras derrapadas desde a chegada à Esplanada dos Ministérios. E, para muitos, continua a usar a capa de Super-Homem, como é representado nas mobilizações. Já Deltan começou a sofrer desgastes e atualmente está numa linha tênue entre manter a fantasia de herói ou vestir o pijama para sair de cena.

 

Estando integrais ou não as mensagens divulgadas pelo coletivo de veículos de imprensa que se debruçou sobre as interceptações do Telegram do procurador, seria necessária uma construção ficcional muito bem feita para indicar que o caso apenas teve o objetivo de descontruir a imagem de Deltan. Não, nenhuma das publicações acredita que o conteúdo das mensagens inviabiliza as consequências jurídicas da Lava Jato. Porém se faz necessário conhecer muito bem os envolvidos para que não sejamos vítimas de um conto da carochinha, típico de uma republiqueta – algo que, felizmente, o Brasil só ensaia ser.

 

Deltan deixou de ser aquele símbolo que tentou se moldar. Vendeu palestras para aumentar a renda. Tentou investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sem ter competência para tal. Construiu, ao lado de pares e do próprio Moro, uma narrativa da qual se tornou refém e que, agora, diante das inúmeras falsas bases, tende a ser esfacelada. Apenas para ficar em poucos exemplos. E aqui não se trata de um mero crítico à Lava Jato ou um defensor da Vaza Jato. É a cruel face desvelada de que, por trás do mito, há um homem vítima do próprio ego e da própria autoestima, inflada por uma imprensa que poucas vezes faz mea culpa sobre as responsabilidades de dar corda para que figuras públicas se enforquem.

 

Independente do resultado prático das mensagens vazadas, se Deltan será ou não removido da coordenação da força-tarefa, se será alvo de sindicância ou investigação ou, simplesmente, se veremos a poeira ser empurrada para baixo do tapete, o procurador está muito menor do que estaria, caso apenas exercesse o papel esperado de quem está nessa função. Para quem esperava ser o cavaleiro contra as trevas, Deltan está muito mais próximo de Harvey Dent, o Duas Caras do Batman.

 

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (12) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30.

 


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